sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vazio

Sinto-te quase todos os dias
Antes de adormecer,
Vou Chamar-te Vazio
Por tudo aquilo que me fazes sofrer.
Vou ser clara para quem lê:
Não estou a falar de uma pessoa ou momento
Nem de uma sensação ou sentimento,
Refiro-me a algo que me possui
Que não sei descrever nem definir
Não tem nome, não sei o que é
É tão forte, não me deixa dormir.
O vazio é uma mescla maléfica
De Raiva, tristeza, solidão,
Dor, angústia, opressão,
Negro, nada, morte.
Aparece todos os dias
Para estripar as minhas alegrias,
A fazer-me esquecer de quem sou
A descrer a minha existência.
O meu peito é um buraco negro
E suga tudo o que está à volta,
Absorve o meu quarto por completo
Fico nua e sem tecto,
Consome-me a mim mesma
Desaparece tudo, não sei para onde vai
É tanta substância e nunca mais sai,
É esta a sensação
Que só me dá vontade de chorar
É tão forte, não tenho armas para lutar;
Quando o vazio chega e vem a sorrir
Sei desde o inicio que vou desistir.
É uma dor tão grande na alma
Que me faz perder toda a calma,
Perco o controlo de mim própria
Dúvido de mim como ser pensante
Como ser lógico e racional
Dúvido de mim como criatura brilhante,
Caio de uma maneira colossal.
A minha alma apaga-se
O meu corpo apodrece,
Quando há vazio sou insignificante
E penso em mim como diletante.
só peço um desejo
A cada noite que te vejo,
Deixa-me dormir
Mas não me deixes acordar.