sexta-feira, 11 de junho de 2010

i'm singing in the rain

Está a chover
é simples, é pureza
é símbolo de viver
inocente natureza,
o som relaxante da água a cair
torna-se silencio
deixo de ouvir,
deixo de ouvir o choro
deixo de ouvir os gritos.
posso observar
entrar na realidade,
sair do meu mau estar
saber que é verdade
é agua, que respiro,
é oxigénio que transpiro.
posso sentir
comemorar o que sou
deixar-me partir
sem saber para onde vou;
é tão físico
ao contrário de mim
gostava de ser chuva
e viver sempre assim,
a completar o mundo
a ser essencial ,
ser precisa a cada segundo
ser muito, certo e real.
ser, para mais além de mim,
ser em todas as línguas,
ser desejada,
amada,
louvada,
simplesmente por ser.
apetece-me estar nua à chuva
haverá melhor sensação?
estou farta da malícia
deste mundo cão,
de tudo e todos
toda a gente sem execção,
de toda a Maria e João.
estou farta de ser só eu,
contar apenas comigo
e cada vez perceber menos
o que significa ser amigo,
ser paixão, ser amor,
não percebo o que não posso tocar
o que não tem cheiro nem cor,
não consigo controlar
o que não é corporal
como a chuva.
eu desejo tão pouco de ti,
apenas um jantar
um beijo,
um olhar,
uma palavra de desejo,
apenas estar...
Dizes-me que sim
mas ages como não
imaginas o choque
que é no meu coração?
porque não és como a chuva?
tão simples e clara
que me tira a sede, a fome a angústia
que me faz sentir bem,
viva, feliz, alguém.