quarta-feira, 5 de junho de 2013

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Espeta-me facas que eu adoro
mente-me que eu namoro
engana-me que eu não choro
vai-te que eu imploro.
De esperta não tenho nada
sou mais uma perdida na rua
uma cadela abandonada
triste, magra, esfomeada.
Sou um bebé recém-nascido
ingénuo e sem consciência
que este mundo é demência.
sou tudo menos aquilo que digo ser
não sou o que faço transparecer
sou tudo menos aquilo que penso
só cresço na minha mente
sou tudo menos aquilo que sou
sou algo longe de ser gente,
sou o oposto de mim mesma
sou eu própria ao não o ser
não sei quem sou e quero saber
sei que sou horrível de se ter
mas tenho-me todos os dias
este fardo
vazio mas pesado
sensível e magoado
azedo, gelado.
espeta-me facas que eu quero
mente-me que eu acho sincero
engana-me que eu tolero
vai-te de modo severo.
eu vou estar aqui
à espera de ti
da maneira que sempre estive
do modo que sempre irei estar
faço-o, espontânea e livre
faço-o por adorar
porque gosto de esperar
porque gosto de gostar
porque gosto de te fazer pensar
que tudo isto é verdade
que sou pura
e transpiro sinceridade
gosto de te fazer pensar
que és capaz de me entristecer
que por gostar, também vou sofrer
que estar, é sinonimo de me ter.