segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sonho

Quem me dera nunca ter nascido

nunca te ter conhecido

nunca ter tido tanto

para não saber o valor

de não ter nada;

Nunca ter tido amor

para não saber o que é estar só;

Nunca me ter sentido feliz

para não perceber

o que é sofrer.

Quem me dera não viver neste mundo

só meu, egoísta, de sensações,

um mundo de luas, chuva e trovões

um céu de tempestades

nos rios desaguam vontades,

os mares estão secos

o vento destrói tudo

o ruído, existe mudo.

É triste chegar à conclusão

que quanto mais sei menos sei,

quanto mais cresço, mais ingénua

esqueço-me de quem sou, o que dei

esqueço-me do porquê de existir

esqueço-me daquilo que me faz sorrir,

ando a remoer naquilo que não tenho

ando a sonhar com aquilo que não posso ter

e esqueço-me de parar para viver

parar, fechar os olhos e respirar

sentir-me feliz porque posso ver

porque posso ouvir, sentir

deveria ser suficiente

mas passo de ambiciosa

a gananciosa,

por já não ter limites

porque tudo cai para o menos infinito

porque já nada me parece bonito,

porque tudo o que faço é imperfeito

porque faço mal a cama onde me deito,

posso ter tudo que pouco me vale

espero que isto não seja esquizofrenia

que seja apenas mais um dia

daqueles que me apetece

embirrar comigo própria,

a alma também aquece,

também tem que ser alimentada

com um pouco de fachada

exagerada.



Mariana Cruz

2009