segunda-feira, 20 de setembro de 2010

U

De que serve fingir
e atirar para trás das costas
se isso nos tira a vontade de sorrir,
de que serve esquecer
se é isso a nossa razão de viver,
de que serve escrever um poema
se já não tenho nenhum tema,
de que serve a palavras enganar
quando a palavra certa é amar.
rasgar cartas
apagar recordações
sarar corações,
de que serve tudo isso
se vamos contra nós próprios,
o que acreditamos é como um feitiço
que pode virar-se contra o feiticeiro.
para que é útil o dinheiro e a fama
quando não se partilha com a pessoa que se ama,
é tudo menos felicidade
é tudo menos viver
ser assim é apenas sobreviver,
sem vontade, sem alegria,
sem brilhar na luz do dia
sem respirar o ar da noite,
sem ti, nada tem sentido
o mundo torna-se um lugar inimigo,
o rosa torna-se negro
o doce fica azedo
a liberdade é como um segredo,
sem ti ao meu lado
a vida transforma-se em morte
nunca mais serei forte
de que serve viver assim?
atormentada de pesadelos
desorientada
apavorada
com vontade de morrer,
de que serve amar-te e não te ter?
o que faço a tudo o que tenho para te dar?
como caminho
se o meu mundo parou de girar?
achas que vou gostar de comer camarão?
achas que vou relaxar nos banhos de espuma?
a razão do meu prazer
era a tua presença, mais nenhuma.
o desrespeito dói
mas o perdão anula isso tudo,
pois viver arrependido é como viver mudo.
luto por aquilo que acredito
luto por quem me faz feliz
amo-te, lamento não te ter dito
mas agora sou a mulher que o diz,
quero dizer-te ao adormecer ao teu lado,
quero dizer-te assim que tiveres acordado,
quero dizer-te para o resto da vida
quero gritar-te que estou arrependida,
quero sussurrar-te a palavra perdoa
quero apagar a palavra magoa.
vou fazer de ti
o homem mais feliz do mundo
acredita em tudo o que escrevi
foi sentido, cá no fundo.