segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sim !

Vejo um disc jockey como a pessoa que controla um club, não só com a musica que toca, como em outros aspectos.

Um dj dá a conhecer ao seu público as novidades, ele pesquisa, selecciona, testa e é precisamente isso que o enriquece como artista, compete-nos a nós sermos os caçadores das boas faixas que não estão ao acesso de qualquer pessoa.

Um dj deveria ser uma lufada de ar fresco, uma pessoa que nos surpreende, uma pessoa que usa uma tshirt irreverente e que mais ninguém tem igual, uma pessoas excêntrica que nos contagia com a sua loucura, uma pessoa com um estilo próprio que queremos imitar, uma pessoa que desejamos, por o seu jeito peculiar, mas acima de tudo porque nos faz viajar com uma boa selecção musical.

Falando da noite em Portugal, das capaz das revistas, dos artistas de "renome" nacional, das noites em que eu tento dançar com o set do dj XPTO que cobra 1500 euros (que é muito) e ..... deparo-me que os artistas que deviam ser as nossas influências são completamente o oposto de tudo o que disse no texto em cima.

Vejo nomes e caras gastos, parados no tempo, sem nada de novo para mostrar, que tocam mais do mesmo, fazem todos o mesmo... há exepções, mas são raras.

Vejo mulheres na cabine sem qualquer noção de estilo, escondidas numa monotonia de cores e músicas, não quero dizer com isto para levarem um decote acentuado ou uns sapatos aos brilhantes, estou a dizer que há que ter pinta, já que nos cabe a nós fazer as modas; Ter pinta na maneira como toca, no que veste, sorri, pisca o olho, mexe no cabelo, no relógio que leva, etc etc...

Pelos vistos o público não se importa... cada vez mais se sai à noite apenas para se ter uma ressaca no dia seguinte. As casas continuam a contratar porque não querem arriscar, elas alimentam estes ciclo vicioso por optarem por "mais do mesmo".

Portugal tem bons artistas que são valorizados , mas conto-os pelos dedos de uma mão, acredito que há muitos outros que não têm essa oportunidade, pessoas com gosto musical e boa técnica na casa dos 20 anos que têm cartas para dar, mas que só conseguem tocar por 50 euros porque os outros 1500 estão guardados para a noite X em que vão contratar o dj Y que está mais usado e gasto que o meu vinyl favorito.

Não quero parecer presunçosa mas escrevo isto porque sei também o meu valor e fico triste quando percebo que estou sozinha no cimo desta montanha.