quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mar


quando saio á rua
as minhas mãos tremem
com uma vontade só sua
e ânsia de vir escrever.
quando ouço a chuva
relembro o vento tropical
que vivi outrora
e nunca senti igual.
quando vejo o nevoeiro
imagino a maré
de um mar traiçoeiro
que sei que não está ao pé.
quando sinto o vento
penso em rebentar de ondas
mudo o tempo
mudo o momento,
mar bravo da meia noite
que é simplesmente calmo.
quanto vejo agitação
sei que é termo equivalente
a noite de solidão
e a triste estado de mente,
sou infeliz ao estar contente
triste ao ser feliz
desvalorizo o presente
desejo que ele vá embora
vivo um estado doente
de querer acelerar a hora
que a priori me arrependo
mas faço com igual força
quero, mesmo tendo
e sabendo 
que me vai matar.
o tempo é o criminoso
que eu não sei como odiar,
porque há noites em que o amo
que lhe pego na mão
e aponto a faca
para o meu coração.
bebo para o esquecer
bebo para não ter que o ver
para me descontrolar
para apagar
a palavra rotina,
que me rebobina
que me diz quando comer
quando dormir, quando não beber
hoje, contradigo o quando
bebo sob o meu comando
bebo porque é bom beber.
quando digo bebo,
digo escrevo
digo (não) sinto
digo vou nadar lá fora
afogar-me na agua doce
como se mar fosse.